domingo, 10 de novembro de 2013

Dilúculo.

Rádio madrugada, e a madrugada que me acorda. Ainda antes da alvorada, o silêncio é perpétuo. Assim o considero, sossego e tento na condição de enquanto dia. Volume zero á frequência que me acalentou, solto-me do acaçapado encoberto e entediado pela falta de disposição, ou cansaço para o ante alvor, constato no que me intriga. Prêambulo num estrado onde a arte é toda tua. Escrito na plateia o que trazes, e sendo grafado o teu súbito improviso. Faço o opúsculo em teu nome, e já nele trago, o todo em que te perdes. Vou-me perdendo eu, em devaneios, descalço na tua infinidade, sinto-os gelados, sentado num dos palanques enquanto redigindo, atento em todo o lance, teu debruço final no barranco do palco e o ensejo para que o eterno magote te segure. Completa, a folha da noite, e o registo de mal dormida. Hora de concluír, pois a madrugada se vai, e a alva dá a primeira claridade do amanhecer.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Lajeadas.

Nem voltei aos registos. Quais gavetas abertas, se tudo o que te recordas, e há longos não tocas, está gravado nas eminências que aos olhos diáfanos, sobressaem os assuntos mais infames e afanosos, desconhecidos a mentes sãs. Longo estirão até ao centro, e pelo caminho, já enredado tanto assunto, por tantos tópicos quanto dedos, suficiente ao mais puro rudimento da língua, aduzindo ao que se já entendia, as novas expressões, aprimorando assim a quimera dos parágrafos fantasiados, não os clareando totalmente, deixando as insensatas arestas por limar. Análogo a quem tanto palavreado arrasta atrás, só semelhante ao desconcerto de ideias, o jeito desenfreado e os dedos de dança contornando os que passam. Trago comigo a noção estapafúrdia das tais insanas, e de volta ao meio berço, como se nem abandonado o lugar, tenho a revisão de toda a matéria, assaz para mais uns quantos parágrafos.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Ferino Carpo.

Escorre sangue entre braços cruzados, de repelão, reage ao violento de olhos fechados e sucumbe toda a lealdade num medo respondido entre um excerto de tirania. Vertigem, despercebido no espaço, e toda a fidelidade espalhada pelo chão fora, pavimentando o retorno que já considerado nulo. A ofensiva, antecipando tua indignação furiosa, desenfreando as verdades inaceitáveis que um corpo mentiroso admite, que reconheces pois não podes recusar, cuja negação traria á tona a peleja que sempre adiaste. A sátira com que discussões terminavas, e a meio retomavas as que com dúvidas começavam, reavendo pontos e motivos torpes, pensando solucionar com um fim, possivelmente, através da volúpia da agressão. Ironia banhada em ódio, a que projectavas e davas a entender, e o afecto que nela escondias pois a reciprocidade rancorosa deixava que tudo o que de melhor tens, em ti ficasse. Violência, a arte dos medíocres, o talento dos insensatos, resposta inepta suportada pelo absurdo. "Seja qual for a forma como se manifeste, será sempre, altivamente, uma derrota." - Jean Paul Sartre.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Da Cacimba Ao Fastígio.

Que os homens façam subir as paredes, puxem as vozes e tragam o grave dos gritos, que ergam todas as notas em tons e meio-tons, ponham no alto a toada de um clamor por aqueles que passaram pelos tijolos destroços, aduzam os artistas em jeito comedido para que uma ponte iluminada seja elevada até ao fastígio desta até agora bastião, guerreando com os que ousam vender as mãos dos que isto constroem a preço de contenda. Incluo tintas alastradas por toda a parede, recobriram de existência o que da história vos passou ao lado, e nem as matizes de muro em muro vos despertaram para a erudição do lado de cá. Intérpretes no alto da muralha declamando, proferindo enleadas, filosofias e razões ecoando entre quem arroje coragem, conhecimento, de abeirar á fortaleza de todos os ofícios desconhecidos por quem os desempenha. Já só falta dar-lhe luz. É com os olhos circundando a queima, cingindo a fumaça fazendo arder os trapos adejantes, saltando do vento para o chamejar que a chama conflagra, assim avivando a última moradia das criaturas que do mais intrínseco e íntimo deram a conhecer.

domingo, 25 de agosto de 2013

Ímprobo Ignoto.

Repulso da vereda aqueles que nos olhos, de aversão e repugnância espalham e que do ódio se fazem saber. Olham-nos nos olhos como se de morte, lhes sempre desejassem. Não vociferam de angústia, pois sempre a corda lhes sera apertada até á última palavra, e o plangor apenas se ouve nos dedos que o colo afagam. O esmagar entoado em palavras suportadas pelos olhos fechados e o pranto que toda a cara cobre, é a amarra que ainda folgada, segurada "pelas mãos de Lúcifer ", pode ser ainda mais um pouco apertada. Posição de rezo, alívio repentino, pouco duradouro do saber que mãos te largaram. De que foges se os teus olhos não escondes? Cuspiram-te na cara enquanto de dor gritavas. Cortas as veias, deixas correr o sangue como se ele referto de raiva, ao expelido te fizesse convalescer. Na viela já não te ignoro. Deixo te parar na calçada sem que desvie o teu olhar. Infiro a tua expressão, deduzo a tua razão, mas sempre viajaste incógnito.

sábado, 17 de agosto de 2013

Entre Bafejos, Suspiros.

Do topo do farol, das rochas, até ao areal contornado pelo mar. A pouca luz que esta imagem envolve. A madrugada fria e calma que do urbano se contrasta. É o luar que me faz suspirar de alívio. Os portões lascados, e os altos muros que separam o sanatório das ruas movimentadas, e o edifício lá longe velado pelos pequenos arbustos. É a saída, a vista de um dos palanques, o subir de umas das varandas que me faz suspirar de alívio. São os atalhos, os trilhos e as sendas que cruzadas nada dizem, enquanto não descobertas, e encobertas pelo calor nas sombras que os robles oferecem que me fazem suspirar de alivio. É numa sala fechada, que escurecida pelo anoitecer, suspiro de alívio. É um aliviar, toda a imagem que ao abrir a porta da varanda vejo, e suspiro como se de um bafejo, em toda a aragem da noite se tornasse. Questionavam-me em noites anteriores, como podia um suspiro de alívio significar tanto quanto vida. É apenas na bonança que de tranquilidade suspiramos, em quando achamos que a história nos compensa. De resto, a vida é dura. "Quando ouço alguém suspirar "A vida é dura", eu fico sempre tentado a perguntar, "Comparado a quê?" -- Sydney Harris, jornalista e escritor, London - Chicago, 1971.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Baile In Tenebris.

Irradiares espontâneos de claridade, ápice e consequente, searas reluzentes no amplo negro, é alguém que os desenha ou apenas penadas, transparentes, não contrastam de todo, resistindo facilmente ao escuro que as envolta. São nomes, suas últimas moradias, dançam, rastos aos olhos de quem as observa, qual magia, qual pavor, pouco tétrico mas de todo, figuras sepulcrais como as vozes, se assim figuras forem. Despidas, de luto, soltas, desfila o que resta do que nada trouxeram da sua última estadia. Retiram-se como se nunca aqui estivessem estado. Apagaram-se numa voz que desvaneceu ao longo do meu ciente, e de forma tão real quanto de real as imagens ali avultaram, cessaram. Não me questionei, penso que por alguma razão, a última moradia, faz de qualquer espaço, túmulo aberto.

Funestos Prazeres.

Vício. Essa disposição para um certo mal. Até onde me conduziu, onde me entregou, não me apercebi. Traços inúmeros e como se já os tivesse pisado a todos. Viagem em substâncias que me fazem conhecer cada um deles, amarando e me cobrindo num rio de dependência irreal, não sozinho, rio esse onde submergindo, sou eu um alvo á carne, á graça feminina. Já eu me banhei de pecado, e quando não me contentei apenas com um pequeno e único toque, deixei que o corpo gritasse e implorasse o que a dignidade já nada podia contradizer. O manchar da retidão, o infringir da lei que mal eu conhecia, e resultar de um transtorno, tormento do remorso, gelar das veias e a necessidade do errado, errado esse, vício, para devolver o bombear. Entregue á miséria, e suplicando por mais uma viagem, que me apague, sem matutar sequer onde ser entregue. Indigno, abusivo, indecoroso, como escreve Margaret Mead - "A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer, o vício, é quando se tem o prazer seguido da dor."

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Tabiques.

Sem a cara de guerra, nem as mãos de tortura. Sem a arma içada, e a pele arrepiada do remorso. Sem o fardamento do medo sujo dos terrenos, que corpos corriam em chuvas de balas, arame e chuva, terra e as mãos, sem os gritos e violência, longe de onde começa o nublado imenso e da nula saída. O mesmo corpo, os mesmos olhos, o desgasto. A mesma escrita dos túmulos, o abrigar em palavras protegido pelas paredes de areia, os corpos em seu encontro mas sucumbindo-se no último olhar com um certeiro, corpo de joelhos. Homem que hoje, suporta ainda como se sempre encostado naquele muro de morticínio, escreve com a arma que em campos apagava a inocência, apaga a ordem, hoje, com o que o ficou por escrever daquela manhã. A varanda jorrada do que a outros tirou, de nada serve ao servo que cumpriu deveres com tremeres.

sábado, 13 de julho de 2013

Mãos Que O Vento Desrespeitam.

Espaço ordinariamente fechado, lugar de tormentos, acompanhado por uma triste melodia de violino. Árvore de braços abertos, enrugada da harpa que consigo suporta desde da mais remota antiguidade, córrego que das águas mais calmas e sujas das que em si caíram. Não tão ordinariamente fechado, não fosse a névoa que esta imagem fábula circunda, frio, húmidos, todos os pequenos detalhes, cinzentos duros veludos, que de suporte para as mais pesadas chuvas e o frágil arrepiante tocar de piano que encobre toda a imagem de um ar negro meditativo. Não descobri personagem para ali inserir no meio, o mais puro e congénere ser, enodoaria toda a candura da simples imagem. Um duro elemento que em opção escrita removi, da Natureza, no seu melhor da espontaneidade.

domingo, 7 de julho de 2013

O Mais Estranho Amigo.

Estendemos a mão que nem pobres, para dar o que de mais pobre temos. Partilha com a esperança mais firme em alguém, o sentimento de segurança, a maior permissão de intimidade, aquela importância. Basta a confiança para sermos rapidamente devidos a alguém. Penso que possa ser de tal forma conforme á honra que lhe possa nomear de honestidade recíproca, nada credível de um modo total. Nem a palavra mais sincera deve morrer na verdade. Nem sou eu um todo confiante, nem tanto de confiança, e se já a devi a alguém? Nem fui honesto o suficiente para dizer a quanta pouca falta me fez. Honestidade é decência, e se ela me falha, estendo as mãos em meus olhos, e partilho o que de mais pobre tenho com o mais pobre que sou.

Alvor dos Poucos Pescadores.

Tanto em nomes ouvi, e de tanta rede, bocas se agradaram. Só que não percebo o porque de nada ver. Zona banhada em todo pelo mar, que em tempos a vida de quem aqui pertence, era contada num barco por esse litoral fora. Estranho, os barcos encostaram, e os pescadores fazem do tempo no mar, tempo gasto a ver o fundo da garrafa, vezes e vezes sem conta. Não discordo que estes velhos, não sejam das maiores bíblias de história, mas o "Velho e o Mar", cativou-me, sem dúvida, a escrever este texto. Talvez o devessem ver, dar apenas um espreitadela de alguém a pegar num velho barco e passar umas boas horas, atrás do que em tempos, fora o seu ganha pão. Bem, a eles, são apenas histórias, trocadas por um bom copo da vinhaça.

Não Há Sol Em Manchester.

Isento de tudo o que ilumina, escuridão que em tudo num negro mergulhou. Salas que num silêncio musical, tranquilo de dor, portas trancadas, foram criadas das mais brilhantes sintonias seladas de medo em ritmos pavorosos completos de uma tal forma relaxante, como por exemplo, "Atmosphere" - Joy Divison, ou "There is A Light That Never Goes Out" - The Smiths. Sem dúvida que não existe Sol em Manchester, para serem elaboradas e lançadas faixas de tal profundo, felizmente que não, senão não seriamos preenchidos de tal poesia negra como a de Ian Curtis ou Morrisey. Tão negro como os concertos aqui dados, em que Ian mostrava uma dança, relacionada com a epilepsia e seus ataques de que sofria. "Eu não entendia o que o Ian cantava, só a tristeza pungente na sua voz e na postura do rapaz. A postura ali ultrapassava a barreira da língua, era palpável, de onde veio isso? Foi o que me veio á cabeça." - Marcela Guimãres em algures, nota minha, que Manchester permaneça sempre nublado, virão á tona mais como "Doves", "David Gray", "Oasis" e "Simply Red".

Eu Seguro, Samuel Úria.

"Quando o tempo for remendo, cada passo um poço fundo, e esta cama em que dormimos, for muralha em que acordamos, e o meu braço estende a mão que embala o muro. Quando o espanto for de medo, o esperado for do mundo, e não for domado o espinho, da carne que partilhamos, o sustento é forte quando o intento é puro. Quando o tempo, eu for remindo, cada poço eu for tapando e esta pedra em que dormimos já for rocha em que assentamos, eu seguro, deixo ás pedras esse coração tão duro. Quando o medo for saindo, e do mundo eu for sarando dessa herança eu faço o manto em que ambos cicatrizamos, eu seguro, não receio o velho agravo que suturo."

Animau Çinixtro.

"A inteligência engraxa as botas da estupidez". Algures de um animau çinixtro, frase que se adequa a quem que por momentos possa ter a sensação que consiga ser ligeiramente mais inteligente de que o seu superior. Algo interior vindo da parte do aprendiz, assessor, como o que lhe quiserem chamar, que por certo instinto, faz parte do bem agrado desse mesmo. Talvez seja erro meu, pensar que possa ser isto, coisa do chamado "Chico Esperto", mas de certo, que temos todos um pouco de, se é que lhe podemos chamar assim, uma certa emulação do que é superior, por mais modesto que o sejam. Algo mínimo, que basicamente se mantém. "E assim o subalterno se recolhe á sua sombra de insignificância e legítima e o superior em seu pedestal". - Bula Revista por Edival Lourenço.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Película, Casa Do Sol Nascente.

Não me conheço. Pergunto-me ainda o que sou e por onde me levo. Ainda sou uma dúvida para mim mesmo. Agrada-me o facto de perguntar e saber diferentes respostas. Faço uma película de mim mesmo, estudo-me, tento e diferentes verdades e razões em todas as vértices. Sentir e mostrar de tudo, faz da personagem, livro de categorias das mais e menos interessantes. "A tua tarefa é a de representares correctamente a personagem que te foi confiada. Quanto a escolhê-la, depende de outro." - Epicteto. Vejo e revejo a fita vezes sem conta, perdendo-me, pois sempre fui um amante de incógnitas, assistindo-as em teatros e cinemas isentos de plateia, algo como um mendigo revendo a sua vida numa montra de televisores.

Fantasmas.

Mastiga-me por dentro o pesar do que ainda não foi feito, agrura de olhos fechados, corre-me pelos devaneios coragem que em real não a tenho. Talvez não seja precisa, mas impulsiva. Não preciso de resistência no correr mas certeza que aí quero chegar. Olhos tremem como o que me corre no sangue, descontrolo de mim mesmo e longo acreditar de umas das partes de que isso me possa ajudar. Mãos na cabeça, cotovelos na mesa acreditando piamente que de forma espontânea me livre de tanto. Tanto que nada tem de dádiva, como de flagelo, algo que me não me livraria, como não o guardaria para mim. Deixo-o ali, imóvel, só que não lhe tiro a vista de cima.

domingo, 19 de maio de 2013

Droga, Por Onde Loucos Passaram.

Fogueira envolta de onde dois loucos dançam, olhares paralelos que nem por centelhas desviado. Completa ausência de todo o sentido, sentimento, alterados. Movimento rígido em solto de noções diferentes, apenas compatíveis onde num sótão escurece. Caminho constante nocturno em que palavras fizeram da luz bem-vinda. Algo que nos transporte em debalde, confiança que nos leve para longe. Gritos que nos façam compreender, descontrolo onde medos sejam experiências, improviso de uma viagem onde nada se receia.
Que enchamos esta mala de partilha, droga e certezas. Que nos despachemos, pois o tempo escasseia.

Certas Quantidades de Areia Fina.

"Fecha a porta quando saíres, para que ninguém veja o cadáver que aqui deixo." Encho a cabeça de devaneios negativos tenebrosos, para que consiga continuar a escrever este texto, terminá-lo sem que a luz me o impeça. Ainda tenho tempo, mas nem um único relógio neste quarto. Sou eu uma ampulheta, e as pernas já estão pesadas, não as consigo levantar. De que me vale um último suspiro, tremer? De que me valeu tudo o que de melhor fiz? Uma juventude imensa adormecera nos meus braços, pois palavras e atitudes não foram suficientes para a manter acordada. Para muitos, não ter nascido talvez teria sido a melhor bênção. Um inferno no que toca à nossa posição, uma mancha negra em cada atitude errada. A porta agora apenas abre do lado de fora.

domingo, 5 de maio de 2013

Em tempos, Corredores.

Sentei-me. Ser deste meio, digno de Ser aqui pertencente. Semelhantes dispersos como se nem de vida precisassem, como nem de morto em mim reparassem. Inúmeros a formarem um deserto vasto, deserto em que me perderia rapidamente num nada, encontraria-me apressadamente num tanto transparente ódio. A desonra transformando-se na queda de cada um deles, no medo da vergonha. Vício de ser melhor, necessidade em ser superior. Carentes de lisonja, sedentos de enaltece, famintos por um aplauso. Olhar meu contemplado, reflectido em todo o meu redor, lamento aquilo em que a mocidade se tornou, desconheço de facto, o porquê.

Intempérie.

Um dia devagar, largos excertos do que não foi dito. Seguindo-se uma noite de anseio, troco em cansaço, um receio constante daquilo que o amanhã trás. Assentar de todas as ideias, silêncio torna clara qualquer decisão, qualquer perspectiva tornada mais nítida. Corpo pousado no escuro, esclarecimento com base nos nossos afins, respostas encontradas nos nossos respectivos. Ligeiro o que se aproxima, olhos escuros e densos, como uma tempestade, o tempo fechou-se de repente. Intempérie numa cama de sonhos acordados. Seguro, ou não, só mais umas voltas pelos ponteiros da máquina, caído no brejo, banhado pelo escuro.

domingo, 31 de março de 2013

Holofotes, Frentes Encadeadas.

Num repente, um todo num leve. Demasiado leve, tudo em que este pouco tempo me tornou. Incomum, estranho, e tão real quanto uma película vibrante. Pela primeira vez, deixar o meu pensar falar, nunca se tornara tão árduo. É em mim, o pouco que pesa apenas, e que em resto, não existo. Tão vertiginoso o minuto de um cogitar em que se dispersa num nevoeiro referto de medo e ilusão, incerteza e fantasia. Demente semelhante onde fizera do meu tempo, meu rival. O meu subconsciente é agora um vale extenso num chuvoso amanhecer onde me prendo a um devaneio delongado.

sábado, 23 de março de 2013

Rotineiros da Treta.

Limitamos-nos a uma rotina escassa, insuficiente, para desenvolvermos o pouco que será o nosso amanhã. Seguindo assim este regime, muitos de nós, nunca nos aperceberemos do que é realmente o mundo aí fora. Viramos costas ao que queremos, e abrimos braços ao que nos obrigam. Escondemos aos nossos olhos a chave da saída destas celas que connosco suportamos. Fazemos de nós reféns das nossas próprias escolhas. Agora gritamos efusivamente para que nos libertem, sabendo que foi por nossa própria culpa, que nos aqui dentro ingressamos.

Cimento Que Te Suporta.

Gritas porque não te libertas. Agrilhoada no teu próprio medo, tentas fugir ao que te rodeia, lágrimas te escorrem, deixando esse teu rasto. Pensas na escapatória, sem solução possível encontrada, vedas as mãos na tua face e choras. Submerges no arrependimento, na tentativa de mudança, manente falhada. Encostas-te á parede, e deixas o que é diário correr, porque tu és, considerando-se assim, o centro do nada. Pouco te chega para desmereceres dessa copa, deixas apenas que o tempo te percorra.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Renunciar a Punir.

Sou doente, louco, insano por perdoar. Não consigo perceber tanta ausência de orgulho, não deixo querer que me deites abaixo, malogro silencioso de qualquer tentativa e fazes de mim, motivo de chacota. Rebaixo-me completa e involuntariamente por acto que pelo teu pensar, seja superior. Com toda a humildade, tão humildemente quanto possível, após poucos segundos limparem toda a minha memória, sou um íntegro benévolo para contigo. Fiz do melhor que em poucos existe, a bondade, no mais cruel da minha imagem.

O Negro do Vinil.

Deixa-me vasculhar esta arca. Aqui está, Ray Charles - I Got a Woman, faz-me bem. O vinil fala por si. Estala os dedos e sente-te rodopiar, fecha os olhos, já sorris, passa as mãos no cabelo, ignora as frases aqui ditas, tu já és um todo anos 50, dedos negros deslizam no pó de um Baldwin, iluminado envolto pela noite, desfigura e sacode todo esse traje, lideras o sinistro americano, e segues perdida no ambiente do Crown Hill Pub, ouve o David Newman, no saxofone transpirando toda a emoção que sente e transpiras tudo o que de Seattle recebeste. Os minutos desta faixa acabaram, regressas, suaste, sentiste, libertaste.

sábado, 16 de março de 2013

Madruga na Canhola.

Perdi toda a pouca noção do que aconteceu. As minhas veias consumiram todo o fumo, o meu cérebro não reagia a qualquer acontecer, tudo era inesperado, súbito. Os meus dedos tremiam consoante o borrão que queimava, pegadiços pois o licor fora entornado. Difícil agora contrair os músculos, desconfortável de tão descontraído, peso morto, alguém que me leve. Suava seco a álcool, hálito que já nem o era, olhos desfocavam todo o panorama, o medo calmo da máquina que me enfrenta. Fechei os olhos e deixei que o banco da estação me conduzisse, onde um amanhecer, vagarosamente se estendeu.

Qual Zimmerman.

"Por mais que tentemos, nós nunca seremos mais do que nós mesmos", disse Robert Zimmerman, senhor, ícone criador e libertador, conhecido por Bob Dylan. Concordância é imensa, perante tão simples reais palavras. Por mais que mudemos em relação a algo, que alguma alteração em nós aconteça derivado de outrem, que atitude possamos tomar, por mais absurda, errada, brilhante e honesta, por mais dor ou sorriso que possamos dissipar, o nosso ser será sempre congénere ao que aqui foi devolvido, o nosso ser nunca será mais que nós mesmos.

domingo, 10 de março de 2013

Deteriorada Ganância.

Do lado de dentro, vês o exterior do teu corpo apodrecer. Maligno, o interior, sedento de bondade, incontrolável, és tu esse. Tu, o que tentas mostrar aos teus semelhantes? Tu daqui pouco levas, e pouco consegues guardar em limitado juízo. Predador, sobrecarregado de egoísmo, de que o melhor não partilhas e anseias pela reverência. Demora agora o duro saber que te perdeste, suporta agora esse peso a ti superior. Deixa que te recolham, que ocupem esse espaço que sempre fora um vácuo.

Costumes do Maçante.

Diz me só, quão cedo é o agora. Poucos minutos passaram desde do regresso desse lado. Acordo e tento perceber onde estive. Choveu, medo, tremi, adormeci, 7:00 am. Fixo, olho o tecto escuro sem fundo, descubro segredos divididos em tinta lascada. O chão distanciou-se, universo latente, manteve-se a fraca luz de esquerda. Ramela, meia saída e o stand-by dos aparelhos. Sanha deste costume.

sábado, 9 de março de 2013

Costumes do Maçante.

Encosto a cabeça no vidro, toda a imagem se desenrola, mais uma vez. Sinto o gotejar imenso do outro lado e o branco piscar negro, cachimónia inclinada, olhos lá direccionados, movendo-se rapidamente. O lá da frente pisando o cumprir do horário, discussões invertidas no rumo da viagem e o silêncio sendo ampliado no decorrer desta mesma, sendo deixados para trás. Ordinário, o mundo aqui dentro pouco iluminado pelo anoitecer...  Deixa gotejar, apenas.

Terráqueo Temporário.

Ainda acredito nessa história. Boa, essa, onde me adapto tal e qual como fomos concebidos para aqui pertencer, seguindo um regulamento que nos foi dado, sem a opção de recusa. Talvez eu ainda não tenha tido o tempo, quase suficiente, para me a ele adaptar. Ininterrupção de tentativa, escasseio, prova, o gotejar que escorre. Creio que não me consiga mesmo inserir nesse relógio, encontrar, o lugar, regulamento esse que procuro, quiçá, não exista em mim.