domingo, 31 de março de 2013

Holofotes, Frentes Encadeadas.

Num repente, um todo num leve. Demasiado leve, tudo em que este pouco tempo me tornou. Incomum, estranho, e tão real quanto uma película vibrante. Pela primeira vez, deixar o meu pensar falar, nunca se tornara tão árduo. É em mim, o pouco que pesa apenas, e que em resto, não existo. Tão vertiginoso o minuto de um cogitar em que se dispersa num nevoeiro referto de medo e ilusão, incerteza e fantasia. Demente semelhante onde fizera do meu tempo, meu rival. O meu subconsciente é agora um vale extenso num chuvoso amanhecer onde me prendo a um devaneio delongado.

sábado, 23 de março de 2013

Rotineiros da Treta.

Limitamos-nos a uma rotina escassa, insuficiente, para desenvolvermos o pouco que será o nosso amanhã. Seguindo assim este regime, muitos de nós, nunca nos aperceberemos do que é realmente o mundo aí fora. Viramos costas ao que queremos, e abrimos braços ao que nos obrigam. Escondemos aos nossos olhos a chave da saída destas celas que connosco suportamos. Fazemos de nós reféns das nossas próprias escolhas. Agora gritamos efusivamente para que nos libertem, sabendo que foi por nossa própria culpa, que nos aqui dentro ingressamos.

Cimento Que Te Suporta.

Gritas porque não te libertas. Agrilhoada no teu próprio medo, tentas fugir ao que te rodeia, lágrimas te escorrem, deixando esse teu rasto. Pensas na escapatória, sem solução possível encontrada, vedas as mãos na tua face e choras. Submerges no arrependimento, na tentativa de mudança, manente falhada. Encostas-te á parede, e deixas o que é diário correr, porque tu és, considerando-se assim, o centro do nada. Pouco te chega para desmereceres dessa copa, deixas apenas que o tempo te percorra.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Renunciar a Punir.

Sou doente, louco, insano por perdoar. Não consigo perceber tanta ausência de orgulho, não deixo querer que me deites abaixo, malogro silencioso de qualquer tentativa e fazes de mim, motivo de chacota. Rebaixo-me completa e involuntariamente por acto que pelo teu pensar, seja superior. Com toda a humildade, tão humildemente quanto possível, após poucos segundos limparem toda a minha memória, sou um íntegro benévolo para contigo. Fiz do melhor que em poucos existe, a bondade, no mais cruel da minha imagem.

O Negro do Vinil.

Deixa-me vasculhar esta arca. Aqui está, Ray Charles - I Got a Woman, faz-me bem. O vinil fala por si. Estala os dedos e sente-te rodopiar, fecha os olhos, já sorris, passa as mãos no cabelo, ignora as frases aqui ditas, tu já és um todo anos 50, dedos negros deslizam no pó de um Baldwin, iluminado envolto pela noite, desfigura e sacode todo esse traje, lideras o sinistro americano, e segues perdida no ambiente do Crown Hill Pub, ouve o David Newman, no saxofone transpirando toda a emoção que sente e transpiras tudo o que de Seattle recebeste. Os minutos desta faixa acabaram, regressas, suaste, sentiste, libertaste.

sábado, 16 de março de 2013

Madruga na Canhola.

Perdi toda a pouca noção do que aconteceu. As minhas veias consumiram todo o fumo, o meu cérebro não reagia a qualquer acontecer, tudo era inesperado, súbito. Os meus dedos tremiam consoante o borrão que queimava, pegadiços pois o licor fora entornado. Difícil agora contrair os músculos, desconfortável de tão descontraído, peso morto, alguém que me leve. Suava seco a álcool, hálito que já nem o era, olhos desfocavam todo o panorama, o medo calmo da máquina que me enfrenta. Fechei os olhos e deixei que o banco da estação me conduzisse, onde um amanhecer, vagarosamente se estendeu.

Qual Zimmerman.

"Por mais que tentemos, nós nunca seremos mais do que nós mesmos", disse Robert Zimmerman, senhor, ícone criador e libertador, conhecido por Bob Dylan. Concordância é imensa, perante tão simples reais palavras. Por mais que mudemos em relação a algo, que alguma alteração em nós aconteça derivado de outrem, que atitude possamos tomar, por mais absurda, errada, brilhante e honesta, por mais dor ou sorriso que possamos dissipar, o nosso ser será sempre congénere ao que aqui foi devolvido, o nosso ser nunca será mais que nós mesmos.

domingo, 10 de março de 2013

Deteriorada Ganância.

Do lado de dentro, vês o exterior do teu corpo apodrecer. Maligno, o interior, sedento de bondade, incontrolável, és tu esse. Tu, o que tentas mostrar aos teus semelhantes? Tu daqui pouco levas, e pouco consegues guardar em limitado juízo. Predador, sobrecarregado de egoísmo, de que o melhor não partilhas e anseias pela reverência. Demora agora o duro saber que te perdeste, suporta agora esse peso a ti superior. Deixa que te recolham, que ocupem esse espaço que sempre fora um vácuo.

Costumes do Maçante.

Diz me só, quão cedo é o agora. Poucos minutos passaram desde do regresso desse lado. Acordo e tento perceber onde estive. Choveu, medo, tremi, adormeci, 7:00 am. Fixo, olho o tecto escuro sem fundo, descubro segredos divididos em tinta lascada. O chão distanciou-se, universo latente, manteve-se a fraca luz de esquerda. Ramela, meia saída e o stand-by dos aparelhos. Sanha deste costume.

sábado, 9 de março de 2013

Costumes do Maçante.

Encosto a cabeça no vidro, toda a imagem se desenrola, mais uma vez. Sinto o gotejar imenso do outro lado e o branco piscar negro, cachimónia inclinada, olhos lá direccionados, movendo-se rapidamente. O lá da frente pisando o cumprir do horário, discussões invertidas no rumo da viagem e o silêncio sendo ampliado no decorrer desta mesma, sendo deixados para trás. Ordinário, o mundo aqui dentro pouco iluminado pelo anoitecer...  Deixa gotejar, apenas.

Terráqueo Temporário.

Ainda acredito nessa história. Boa, essa, onde me adapto tal e qual como fomos concebidos para aqui pertencer, seguindo um regulamento que nos foi dado, sem a opção de recusa. Talvez eu ainda não tenha tido o tempo, quase suficiente, para me a ele adaptar. Ininterrupção de tentativa, escasseio, prova, o gotejar que escorre. Creio que não me consiga mesmo inserir nesse relógio, encontrar, o lugar, regulamento esse que procuro, quiçá, não exista em mim.