sábado, 13 de julho de 2013

Mãos Que O Vento Desrespeitam.

Espaço ordinariamente fechado, lugar de tormentos, acompanhado por uma triste melodia de violino. Árvore de braços abertos, enrugada da harpa que consigo suporta desde da mais remota antiguidade, córrego que das águas mais calmas e sujas das que em si caíram. Não tão ordinariamente fechado, não fosse a névoa que esta imagem fábula circunda, frio, húmidos, todos os pequenos detalhes, cinzentos duros veludos, que de suporte para as mais pesadas chuvas e o frágil arrepiante tocar de piano que encobre toda a imagem de um ar negro meditativo. Não descobri personagem para ali inserir no meio, o mais puro e congénere ser, enodoaria toda a candura da simples imagem. Um duro elemento que em opção escrita removi, da Natureza, no seu melhor da espontaneidade.

domingo, 7 de julho de 2013

O Mais Estranho Amigo.

Estendemos a mão que nem pobres, para dar o que de mais pobre temos. Partilha com a esperança mais firme em alguém, o sentimento de segurança, a maior permissão de intimidade, aquela importância. Basta a confiança para sermos rapidamente devidos a alguém. Penso que possa ser de tal forma conforme á honra que lhe possa nomear de honestidade recíproca, nada credível de um modo total. Nem a palavra mais sincera deve morrer na verdade. Nem sou eu um todo confiante, nem tanto de confiança, e se já a devi a alguém? Nem fui honesto o suficiente para dizer a quanta pouca falta me fez. Honestidade é decência, e se ela me falha, estendo as mãos em meus olhos, e partilho o que de mais pobre tenho com o mais pobre que sou.

Alvor dos Poucos Pescadores.

Tanto em nomes ouvi, e de tanta rede, bocas se agradaram. Só que não percebo o porque de nada ver. Zona banhada em todo pelo mar, que em tempos a vida de quem aqui pertence, era contada num barco por esse litoral fora. Estranho, os barcos encostaram, e os pescadores fazem do tempo no mar, tempo gasto a ver o fundo da garrafa, vezes e vezes sem conta. Não discordo que estes velhos, não sejam das maiores bíblias de história, mas o "Velho e o Mar", cativou-me, sem dúvida, a escrever este texto. Talvez o devessem ver, dar apenas um espreitadela de alguém a pegar num velho barco e passar umas boas horas, atrás do que em tempos, fora o seu ganha pão. Bem, a eles, são apenas histórias, trocadas por um bom copo da vinhaça.

Não Há Sol Em Manchester.

Isento de tudo o que ilumina, escuridão que em tudo num negro mergulhou. Salas que num silêncio musical, tranquilo de dor, portas trancadas, foram criadas das mais brilhantes sintonias seladas de medo em ritmos pavorosos completos de uma tal forma relaxante, como por exemplo, "Atmosphere" - Joy Divison, ou "There is A Light That Never Goes Out" - The Smiths. Sem dúvida que não existe Sol em Manchester, para serem elaboradas e lançadas faixas de tal profundo, felizmente que não, senão não seriamos preenchidos de tal poesia negra como a de Ian Curtis ou Morrisey. Tão negro como os concertos aqui dados, em que Ian mostrava uma dança, relacionada com a epilepsia e seus ataques de que sofria. "Eu não entendia o que o Ian cantava, só a tristeza pungente na sua voz e na postura do rapaz. A postura ali ultrapassava a barreira da língua, era palpável, de onde veio isso? Foi o que me veio á cabeça." - Marcela Guimãres em algures, nota minha, que Manchester permaneça sempre nublado, virão á tona mais como "Doves", "David Gray", "Oasis" e "Simply Red".

Eu Seguro, Samuel Úria.

"Quando o tempo for remendo, cada passo um poço fundo, e esta cama em que dormimos, for muralha em que acordamos, e o meu braço estende a mão que embala o muro. Quando o espanto for de medo, o esperado for do mundo, e não for domado o espinho, da carne que partilhamos, o sustento é forte quando o intento é puro. Quando o tempo, eu for remindo, cada poço eu for tapando e esta pedra em que dormimos já for rocha em que assentamos, eu seguro, deixo ás pedras esse coração tão duro. Quando o medo for saindo, e do mundo eu for sarando dessa herança eu faço o manto em que ambos cicatrizamos, eu seguro, não receio o velho agravo que suturo."

Animau Çinixtro.

"A inteligência engraxa as botas da estupidez". Algures de um animau çinixtro, frase que se adequa a quem que por momentos possa ter a sensação que consiga ser ligeiramente mais inteligente de que o seu superior. Algo interior vindo da parte do aprendiz, assessor, como o que lhe quiserem chamar, que por certo instinto, faz parte do bem agrado desse mesmo. Talvez seja erro meu, pensar que possa ser isto, coisa do chamado "Chico Esperto", mas de certo, que temos todos um pouco de, se é que lhe podemos chamar assim, uma certa emulação do que é superior, por mais modesto que o sejam. Algo mínimo, que basicamente se mantém. "E assim o subalterno se recolhe á sua sombra de insignificância e legítima e o superior em seu pedestal". - Bula Revista por Edival Lourenço.