quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Da Cacimba Ao Fastígio.

Que os homens façam subir as paredes, puxem as vozes e tragam o grave dos gritos, que ergam todas as notas em tons e meio-tons, ponham no alto a toada de um clamor por aqueles que passaram pelos tijolos destroços, aduzam os artistas em jeito comedido para que uma ponte iluminada seja elevada até ao fastígio desta até agora bastião, guerreando com os que ousam vender as mãos dos que isto constroem a preço de contenda. Incluo tintas alastradas por toda a parede, recobriram de existência o que da história vos passou ao lado, e nem as matizes de muro em muro vos despertaram para a erudição do lado de cá. Intérpretes no alto da muralha declamando, proferindo enleadas, filosofias e razões ecoando entre quem arroje coragem, conhecimento, de abeirar á fortaleza de todos os ofícios desconhecidos por quem os desempenha. Já só falta dar-lhe luz. É com os olhos circundando a queima, cingindo a fumaça fazendo arder os trapos adejantes, saltando do vento para o chamejar que a chama conflagra, assim avivando a última moradia das criaturas que do mais intrínseco e íntimo deram a conhecer.

domingo, 25 de agosto de 2013

Ímprobo Ignoto.

Repulso da vereda aqueles que nos olhos, de aversão e repugnância espalham e que do ódio se fazem saber. Olham-nos nos olhos como se de morte, lhes sempre desejassem. Não vociferam de angústia, pois sempre a corda lhes sera apertada até á última palavra, e o plangor apenas se ouve nos dedos que o colo afagam. O esmagar entoado em palavras suportadas pelos olhos fechados e o pranto que toda a cara cobre, é a amarra que ainda folgada, segurada "pelas mãos de Lúcifer ", pode ser ainda mais um pouco apertada. Posição de rezo, alívio repentino, pouco duradouro do saber que mãos te largaram. De que foges se os teus olhos não escondes? Cuspiram-te na cara enquanto de dor gritavas. Cortas as veias, deixas correr o sangue como se ele referto de raiva, ao expelido te fizesse convalescer. Na viela já não te ignoro. Deixo te parar na calçada sem que desvie o teu olhar. Infiro a tua expressão, deduzo a tua razão, mas sempre viajaste incógnito.

sábado, 17 de agosto de 2013

Entre Bafejos, Suspiros.

Do topo do farol, das rochas, até ao areal contornado pelo mar. A pouca luz que esta imagem envolve. A madrugada fria e calma que do urbano se contrasta. É o luar que me faz suspirar de alívio. Os portões lascados, e os altos muros que separam o sanatório das ruas movimentadas, e o edifício lá longe velado pelos pequenos arbustos. É a saída, a vista de um dos palanques, o subir de umas das varandas que me faz suspirar de alívio. São os atalhos, os trilhos e as sendas que cruzadas nada dizem, enquanto não descobertas, e encobertas pelo calor nas sombras que os robles oferecem que me fazem suspirar de alivio. É numa sala fechada, que escurecida pelo anoitecer, suspiro de alívio. É um aliviar, toda a imagem que ao abrir a porta da varanda vejo, e suspiro como se de um bafejo, em toda a aragem da noite se tornasse. Questionavam-me em noites anteriores, como podia um suspiro de alívio significar tanto quanto vida. É apenas na bonança que de tranquilidade suspiramos, em quando achamos que a história nos compensa. De resto, a vida é dura. "Quando ouço alguém suspirar "A vida é dura", eu fico sempre tentado a perguntar, "Comparado a quê?" -- Sydney Harris, jornalista e escritor, London - Chicago, 1971.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Baile In Tenebris.

Irradiares espontâneos de claridade, ápice e consequente, searas reluzentes no amplo negro, é alguém que os desenha ou apenas penadas, transparentes, não contrastam de todo, resistindo facilmente ao escuro que as envolta. São nomes, suas últimas moradias, dançam, rastos aos olhos de quem as observa, qual magia, qual pavor, pouco tétrico mas de todo, figuras sepulcrais como as vozes, se assim figuras forem. Despidas, de luto, soltas, desfila o que resta do que nada trouxeram da sua última estadia. Retiram-se como se nunca aqui estivessem estado. Apagaram-se numa voz que desvaneceu ao longo do meu ciente, e de forma tão real quanto de real as imagens ali avultaram, cessaram. Não me questionei, penso que por alguma razão, a última moradia, faz de qualquer espaço, túmulo aberto.

Funestos Prazeres.

Vício. Essa disposição para um certo mal. Até onde me conduziu, onde me entregou, não me apercebi. Traços inúmeros e como se já os tivesse pisado a todos. Viagem em substâncias que me fazem conhecer cada um deles, amarando e me cobrindo num rio de dependência irreal, não sozinho, rio esse onde submergindo, sou eu um alvo á carne, á graça feminina. Já eu me banhei de pecado, e quando não me contentei apenas com um pequeno e único toque, deixei que o corpo gritasse e implorasse o que a dignidade já nada podia contradizer. O manchar da retidão, o infringir da lei que mal eu conhecia, e resultar de um transtorno, tormento do remorso, gelar das veias e a necessidade do errado, errado esse, vício, para devolver o bombear. Entregue á miséria, e suplicando por mais uma viagem, que me apague, sem matutar sequer onde ser entregue. Indigno, abusivo, indecoroso, como escreve Margaret Mead - "A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer, o vício, é quando se tem o prazer seguido da dor."

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Tabiques.

Sem a cara de guerra, nem as mãos de tortura. Sem a arma içada, e a pele arrepiada do remorso. Sem o fardamento do medo sujo dos terrenos, que corpos corriam em chuvas de balas, arame e chuva, terra e as mãos, sem os gritos e violência, longe de onde começa o nublado imenso e da nula saída. O mesmo corpo, os mesmos olhos, o desgasto. A mesma escrita dos túmulos, o abrigar em palavras protegido pelas paredes de areia, os corpos em seu encontro mas sucumbindo-se no último olhar com um certeiro, corpo de joelhos. Homem que hoje, suporta ainda como se sempre encostado naquele muro de morticínio, escreve com a arma que em campos apagava a inocência, apaga a ordem, hoje, com o que o ficou por escrever daquela manhã. A varanda jorrada do que a outros tirou, de nada serve ao servo que cumpriu deveres com tremeres.