Valor, Ridículo, Incerto, Final.
domingo, 10 de novembro de 2013
Dilúculo.
Rádio madrugada, e a madrugada que me acorda. Ainda antes da alvorada, o silêncio é perpétuo. Assim o considero, sossego e tento na condição de enquanto dia. Volume zero á frequência que me acalentou, solto-me do acaçapado encoberto e entediado pela falta de disposição, ou cansaço para o ante alvor, constato no que me intriga. Prêambulo num estrado onde a arte é toda tua. Escrito na plateia o que trazes, e sendo grafado o teu súbito improviso. Faço o opúsculo em teu nome, e já nele trago, o todo em que te perdes. Vou-me perdendo eu, em devaneios, descalço na tua infinidade, sinto-os gelados, sentado num dos palanques enquanto redigindo, atento em todo o lance, teu debruço final no barranco do palco e o ensejo para que o eterno magote te segure. Completa, a folha da noite, e o registo de mal dormida. Hora de concluír, pois a madrugada se vai, e a alva dá a primeira claridade do amanhecer.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Lajeadas.
Nem voltei aos registos. Quais gavetas abertas, se tudo o que te recordas, e há longos não tocas, está gravado nas eminências que aos olhos diáfanos, sobressaem os assuntos mais infames e afanosos, desconhecidos a mentes sãs. Longo estirão até ao centro, e pelo caminho, já enredado tanto assunto, por tantos tópicos quanto dedos, suficiente ao mais puro rudimento da língua, aduzindo ao que se já entendia, as novas expressões, aprimorando assim a quimera dos parágrafos fantasiados, não os clareando totalmente, deixando as insensatas arestas por limar. Análogo a quem tanto palavreado arrasta atrás, só semelhante ao desconcerto de ideias, o jeito desenfreado e os dedos de dança contornando os que passam. Trago comigo a noção estapafúrdia das tais insanas, e de volta ao meio berço, como se nem abandonado o lugar, tenho a revisão de toda a matéria, assaz para mais uns quantos parágrafos.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Ferino Carpo.
Escorre sangue entre braços cruzados, de repelão, reage ao violento de olhos fechados e sucumbe toda a lealdade num medo respondido entre um excerto de tirania. Vertigem, despercebido no espaço, e toda a fidelidade espalhada pelo chão fora, pavimentando o retorno que já considerado nulo. A ofensiva, antecipando tua indignação furiosa, desenfreando as verdades inaceitáveis que um corpo mentiroso admite, que reconheces pois não podes recusar, cuja negação traria á tona a peleja que sempre adiaste. A sátira com que discussões terminavas, e a meio retomavas as que com dúvidas começavam, reavendo pontos e motivos torpes, pensando solucionar com um fim, possivelmente, através da volúpia da agressão. Ironia banhada em ódio, a que projectavas e davas a entender, e o afecto que nela escondias pois a reciprocidade rancorosa deixava que tudo o que de melhor tens, em ti ficasse. Violência, a arte dos medíocres, o talento dos insensatos, resposta inepta suportada pelo absurdo. "Seja qual for a forma como se manifeste, será sempre, altivamente, uma derrota." - Jean Paul Sartre.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Da Cacimba Ao Fastígio.
Que os homens façam subir as paredes, puxem as vozes e tragam o grave dos gritos, que ergam todas as notas em tons e meio-tons, ponham no alto a toada de um clamor por aqueles que passaram pelos tijolos destroços, aduzam os artistas em jeito comedido para que uma ponte iluminada seja elevada até ao fastígio desta até agora bastião, guerreando com os que ousam vender as mãos dos que isto constroem a preço de contenda. Incluo tintas alastradas por toda a parede, recobriram de existência o que da história vos passou ao lado, e nem as matizes de muro em muro vos despertaram para a erudição do lado de cá. Intérpretes no alto da muralha declamando, proferindo enleadas, filosofias e razões ecoando entre quem arroje coragem, conhecimento, de abeirar á fortaleza de todos os ofícios desconhecidos por quem os desempenha. Já só falta dar-lhe luz. É com os olhos circundando a queima, cingindo a fumaça fazendo arder os trapos adejantes, saltando do vento para o chamejar que a chama conflagra, assim avivando a última moradia das criaturas que do mais intrínseco e íntimo deram a conhecer.
domingo, 25 de agosto de 2013
Ímprobo Ignoto.
Repulso da vereda aqueles que nos olhos, de aversão e repugnância espalham e que do ódio se fazem saber. Olham-nos nos olhos como se de morte, lhes sempre desejassem. Não vociferam de angústia, pois sempre a corda lhes sera apertada até á última palavra, e o plangor apenas se ouve nos dedos que o colo afagam. O esmagar entoado em palavras suportadas pelos olhos fechados e o pranto que toda a cara cobre, é a amarra que ainda folgada, segurada "pelas mãos de Lúcifer ", pode ser ainda mais um pouco apertada. Posição de rezo, alívio repentino, pouco duradouro do saber que mãos te largaram. De que foges se os teus olhos não escondes? Cuspiram-te na cara enquanto de dor gritavas. Cortas as veias, deixas correr o sangue como se ele referto de raiva, ao expelido te fizesse convalescer. Na viela já não te ignoro. Deixo te parar na calçada sem que desvie o teu olhar. Infiro a tua expressão, deduzo a tua razão, mas sempre viajaste incógnito.
sábado, 17 de agosto de 2013
Entre Bafejos, Suspiros.
Do topo do farol, das rochas, até ao areal contornado pelo mar. A pouca luz que esta imagem envolve. A madrugada fria e calma que do urbano se contrasta. É o luar que me faz suspirar de alívio. Os portões lascados, e os altos muros que separam o sanatório das ruas movimentadas, e o edifício lá longe velado pelos pequenos arbustos. É a saída, a vista de um dos palanques, o subir de umas das varandas que me faz suspirar de alívio. São os atalhos, os trilhos e as sendas que cruzadas nada dizem, enquanto não descobertas, e encobertas pelo calor nas sombras que os robles oferecem que me fazem suspirar de alivio. É numa sala fechada, que escurecida pelo anoitecer, suspiro de alívio. É um aliviar, toda a imagem que ao abrir a porta da varanda vejo, e suspiro como se de um bafejo, em toda a aragem da noite se tornasse. Questionavam-me em noites anteriores, como podia um suspiro de alívio significar tanto quanto vida. É apenas na bonança que de tranquilidade suspiramos, em quando achamos que a história nos compensa. De resto, a vida é dura. "Quando ouço alguém suspirar "A vida é dura", eu fico sempre tentado a perguntar, "Comparado a quê?" -- Sydney Harris, jornalista e escritor, London - Chicago, 1971.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Baile In Tenebris.
Irradiares espontâneos de claridade, ápice e consequente, searas reluzentes no amplo negro, é alguém que os desenha ou apenas penadas, transparentes, não contrastam de todo, resistindo facilmente ao escuro que as envolta. São nomes, suas últimas moradias, dançam, rastos aos olhos de quem as observa, qual magia, qual pavor, pouco tétrico mas de todo, figuras sepulcrais como as vozes, se assim figuras forem. Despidas, de luto, soltas, desfila o que resta do que nada trouxeram da sua última estadia. Retiram-se como se nunca aqui estivessem estado. Apagaram-se numa voz que desvaneceu ao longo do meu ciente, e de forma tão real quanto de real as imagens ali avultaram, cessaram. Não me questionei, penso que por alguma razão, a última moradia, faz de qualquer espaço, túmulo aberto.
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